Desafios e propostas éticas
 na acolhida eclesial à pessoa surda

Por Luís Sérgio Damasceno de Souza,

São Paulo, 2006.

Sección: Tesis, tesis de maestría.

INTRODUÇÃO

O objetivo desse trabalho é a pessoa surda sob o ponto de vista do desafio ético à sua inserção na comunidade eclesial, onde buscaremos propostas éticas. Trata-se de problemática relevante, particularmente num momento histórico em que a Campanha da Fraternidade – CF 2006, coloca as pessoas com deficiência no centro da atenção e da reflexão e questiona a sociedade e a própria Igreja sobre atitudes e relacionamentos com essas pessoas.

Tratando-se especificamente da Surdez e não tendo em vista a deficiência auditiva que é considerada doença, uma vez que representa um desvio da saúde, optamos por utilizar as designações pessoas surdas ou surdo, palavra mais comum na cultura padrão e, muito mais importante que tudo, é o termo com o qual a própria pessoa surda refere-se a si mesmo e seus iguais. Como bem assinalou Behares1, permitindo-nos re-situar o conceito Surdez no marco sócio-cultural para retirá-lo do âmbito clínico.

Entendendo a Surdez como cultura e não como doença ou deficiência, tal proposta permite mostrar a pessoa surda constituindo-se como sujeito. Isso facilitará um relacionamento social com atitudes e sem preconceitos e deslocará os esforços para domínios e atividades de evangelização onde a pessoa surda poderá mais facilmente construir a si mesma como cidadã respeitada em sua liberdade, livre dos estigmas e incluída sem restrições na sociedade e na Igreja. Consideramos que é uma discussão importante para a comunidade eclesial, porque figura dentre seus objetivos e tem sido pouco debatida.

Por pertencer à Pequena Missão para Surdos, cujo carisma é a educação e evangelização destes, somado ao conhecimento acadêmico é que nos permitiram entender a necessidade de pensar a questão mais abrangente que advém da compreensão do processo da acolhida eclesial em dimensões mais amplas, como um processo ético.

Para a consecução desse objetivo, a investigação constituiu-se, por várias razões, em um grande desafio. Uma delas diz respeito à complexidade da temática, cuja discussão sobre Surdez, embora comece a crescer e a ganhar corpo, ainda é bastante recente, o que pode ser comprovado pela escassez de bibliografia disponível sobre ela, sobretudo no campo teológico brasileiro.

A elucidação da temática central baseou-se em alguns pressupostos metodológicos que orientam a condução da investigação o que, por sua vez, configuram os critérios para a busca de uma explicação mais rigorosa para o aprofundamento da questão. Um dos pressupostos básicos é o de que a apreensão da especificidade da acolhida eclesial à pessoa surda não pode ser investigada de forma isolada e independente do conjunto das transformações sociais mais amplas que vem sendo introduzidas, tanto na acolhida quanto nas formas de compreensão da Surdez.

Tal acolhida se revela como um processo do desafio e da proposta ética que procura responder por carismas voltados a esta questão, às necessidades de preparação e de aprendizado para a acolhida.

A compreensão da temática exige o reconhecimento de alguns aspectos subjacentes aos conflitos nem sempre explícitos em suas manifestações habituais de acolhida.

Outro aspecto refere-se às expressões que nomeiam esta pesquisa, desafios e propostas éticas, Surdez e acolhida eclesial.

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Dissertação apresentada como exigência final para obtenção do grau de Mestre em Teologia Moral à Comissão Julgadora do Centro Universitário Assunção Pontifícia Universidade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, sob a orientação do Professor Dr Pe Márcio Fabri dos Anjos – CSsR., São Paulo/SP – 2006

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