“Um olho no professor surdo e outro na caneta”: ouvintes aprendendo a Língua Brasileira de Sinais.

Usuario-VacioPor Audrei Gesser,

Campinas, 2006.

Sección: Tesis, tesis doctorales.

 

Resumo

Esta tese tem por finalidade descrever as ações e os significados locais na interação social face a face entre um professor surdo e seus alunos ouvintes em um contexto de ensino e aprendizagem de LIBRAS. Nesse contexto sociolingüisticamente complexo focalizo as relações estabelecidas pelos participantes com a Língua Portuguesa e a LIBRAS, com as culturas e as identidades surdas e ouvintes na e através do uso de linguagem. Sendo uma pesquisa de cunho etnográfico (Erickson, 1986, 1987, 1992, 1996; Agar, 1980; Elly, Anzul, Friedman, Garner & Steinmetz, 1991; Winkin, 1998), o corpus provém de pesquisa com observação-participante, e inclui, por exemplo, registros gerados (Mason, 1997) em forma de notas de campo, conversas informais, gravações em áudio/vídeo, diários retrospectivos. A discussão teórica orienta-se pela perspectiva da Sociolingüística Interacional, (Goffman, 1981, 2002; Gumperz, 1982a/b, Jacob & Ochs, 1995; Schiffrin, 1996), e dela utilizo as noções de pistas de contextualização, articulada nos estudos de Gumperz, e alinhamento, de Goffman. A partir de uma análise prévia dos registros gerados, encontro também nos Estudos Culturais de Hall (1992, 2003a/b/c), Pós-Coloniais de Bhabha (1992, 2000, 2003) e do sociólogo e antropólogo De Certeau (1994, 1995, 1996) uma afinidade teórica para contemplar questões de língua, cultura e identidade no contexto da surdez – conceitos relevantes para a discussão também ancorados nas obras de Rajagopalan (1998), Maher (1996) e César & Cavalcanti (no prelo). Além da integração e discussão da tríade língua-identidade-cultura, a partir de tais teóricos, integro também as noções de hibridismo (Bhabha, 2003), diáspora (Hall, 2003a) e táticas e/ou estratégias (De Certeau, 1994, 1996). Os resultados da análise mostram que, ao se relacionarem com a LIBRAS em contexto formal de ensino e aprendizagem, os alunos ouvintes transitam pelas modalidades oral, escrita e de sinal em conformidade com o que é mais significativo no momento interacional: ora porque diferentes identidades estão sendo projetadas, manifestadas e construídas; ora porque diferenças culturais estão em jogo. Embora o professor e algumas alunas sejam usuários da língua portuguesa e da língua de sinais, há momentos de conflito no uso dessas duas línguas, bem como na relação distinta que cada participante estabelece com as variedades em sinais trazidas para a sala de aula.

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Tesis doctoral presentada ante el Programa de Pos-Graduação em Lingüística Aplicada del Instituto de Estudos da Linguagem de la Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil.

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